Folha de Ribeirão Pires


17/04/2018 11:13 - Especial

Um parque chamado Aliança na Estância Turística de Ribeirão Pires

Moradores mais antigos contam que a região ganhou o nome de Parque Aliança por conta da Fazenda Aliança

Região do Aliança é composta pelo Jardim Serrano, Chácara Aliança, Jardim Guanabara, Vila Gomes, entre outrosA avenida Princesa Isabel, principal via da região do Aliança, era conhecida como Rua Sete. Ainda de terra batida, há 30 anos atrás, existia uma única via, somente na década de 1980 foi construída a segunda rua. Entretanto, o nome da avenida deve-se à Princesa Isabel, que foi reconhecida por ter abolido a escravidão do Brasil, também foi princesa imperial do País e regente do Império do Brasil por três ocasiões, na qualidade de herdeira de seu pai, o imperador D. Pedro II, e da imperatriz Dona Teresa Cristina.
 
Depois de casada seu nome completo passou a ser Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orléans e Bragança.
 
Agora você já pensou se a Avenida do Parque Aliança também recebe a mesma nomenclatura ao invés de apenas Princesa Isabel? Iria complicar, não é?
 
Já na região do Aliança não existiu nenhuma reserva ou muito menos produção de ouro.
 
Segundo os mais antigos contam que a região ganhou esta nomenclatura por conta da Fazenda Aliança, que loteou terrenos.
Anos depois, habitantes da cidade invadiram a região do Parque Aliança. Todos foram despejados e para que não ocorresse mais invasões a Prefeitura doou cerca de 5 mil tijolos para cada família construir a sua própria residência.
 
A medida foi tomada para evitar edificação de favelas na cidade. Uma das curiosidades desta região, que também tem nome de rua com sobrenome da família Belotti, está ligada a entrega de correspondência. Há 20 anos, todas as cartas chegavam às residências endereçadas para a continuação da Rua Capitão José Gallo.
 
Outra curiosidade que ganhou as páginas policiais também na década de 80, foi o linchamento e a morte de dois ladrões. A dupla de meliantes invadia casas do bairro durante a madrugada e cometiam diversas atrocidades. Entretanto, moradores durante a madrugada flagraram a dupla invadindo uma residência.
 
Em seguida, ambos foram linchados e mortos. A região do Aliança é composta pelo Jardim Serrano, Chácara Aliança, Parque Aliança, Jardim Guanabara, Vila Nova Rosa, Vila Monteiro, Vila Gomes e Vila Belmiro.


Principais serviços 


Escolas Municipais
E.M. Com.Abdalla Chiedde
Rua Aspásia, 334 - Bairro Aliança
Telefone: (11) 4828-1755
 
E.M. Maria Gomes do Pilar
R. Lusitanos, 2 - Vila Gomes
Telefone: (11) 4828-1561
 
Espaços de Lazer
Parque Aliança: Praça Ishiro Hidaka, s/nº;
Parque Aliança/Praça José Inocêncio Nunes: Rua Augusto Mazieiro, s/nº
 
Quadras de Areia nos Bairros: São espaços destinados à prática de atividade esportiva e de lazer aos moradores locais. As quadras encontram-se nos seguintes bairros.
Parque Aliança: Rua João Lúcio de Morais, s/nº;
 
Centro Esportivo Municipal Valentino Redivo:
Avenida Coronel Oliveira Lima, nº 2345 - Vila Gomes.
 
Atenção Básica
UBS GUANABARA 
Rua Fermino G. Pereira, 398 - Vila Gomes
Telefone: 4828-1466

A opinião de quem vive no Aliança


Esther Fernandes, 70 anos - “O grande problema do bairro é a falta de médico. Estou há mais de 1 ano com problema no pé direito e só hoje que consegui exame lá no Hospital Serraria. Preciso muito passar em um médico vascular. Outro problema é a falta e segurança. Outro dia roubaram o carro dos Correios. Era uma hora da tarde. Aqui roubam de tudo, celular, bolsa, tênis... Sinto muita falta do passado. Aqui o mato e o lixo tomam conta de tudo”.


Alfredo Rodrigues, 84 anos - “Em todo lugar tem problema, sempre está faltando alguma coisa.A Prefeitura deve ser mais cuidadosa com o bairro, o canteiro central na avenida Princesa Isabel está precisando de poda e limpeza que o mato está tomando conta. O asfalto de várias ruas dessa localidade estão quebrados em alguns pontos. Só vejo que a Prefeitura de Ribeirão Pires tem que olhar um pouco mais pro Parque Aliança e região”.


Daniel Bernardo Ferreira, conhecido por Tio Oré, mora no bairro há 35 anos. “Faço reunião aqui com cerca 10 pessoas e precisamos de apoio. Como não conseguimos, arregaçamos as mangas e realizamos a manutenção da praça Hishiro Idaka. A segurança está falha. Tem pessoas vindas de fora que ficam bagunçando e quebrando. A manutenção não é feita e não temos condições de tirar dinheiro do bolso para fazer o serviço. São pequenos detalhes que precisam ser feitos para melhorar a nossa praça e nosso bairro”.


José Carlos - Morador do Parque Aliança há aproximadamente 30 anos, o mecânico diz ser um apaixonado pelo local.
“O Parque Aliança é um dos melhores bairros de Ribeirão Pires para se morar. Precisamos um pouco mais de atenção na assistencia social. Temos muitos problemas, que só serão resolvidos por aqueles que tem poder para ajudar. Aqui muito pouco se fala sobre assalto. O que acontece aqui acontece em Santo André e em qualquer outra cidade da região”.


Bárbara Heloisa Saúgo, 26 anos - “Um dos principais problemas aqui no Parque Aliança é a saúde, pois o posto de saúde tem atendimento precário. Outro problema que temos aqui é o sistema de transporte público que demora muito devido a constantes atrasos. O serviço de infraestrutura também deixa a desejar devido ao desgaste no asfalto e a falta de manutenção adequada. É o que eu acredito que esteja ruim aqui no bairro”.


Jéssica Brinchi, 37 anos, é moradora do bairro há 30 anos - “O positivo do bairro é porque tem bastante comércio e bastante atividade. Vejo que a Prefeitura está cuidando de àreas de atividade física. O negativo é que não temos ainda uma coleta seletiva de lixo. A segurança é outro ponto negativo, onde de vez em quando ficamos sabendo de um caso ou outro, de alguma casa que foi invadida, então segurança é um ponto negativo aqui no bairro”.



Os personagens do Parque Aliança


José Evaldo dos Santos, 54 anos, é morador no bairro Parque Aliança há 33 anos.
 
Natural da cidade de Riachão do Dantas em Sergipe, é comerciante há 22 anos, é vendedor de espetinhos, onde segundo o mesmo conseguiu constituir família e dar estudo aos três filhos, graças a sua barraca.
 
Muito popular na região, Jequinho jogou muito futebol na várzea de Ribeirão Pires. Ele fala com muito orgulho sobre o seu pequeno estabelecimento comercial ser um tradicional ponto de encontro de fofoqueiros.
 
“Quem quiser saber das fofocas do bairro e da cidade é só procurar o meu comércio que aqui você fica atualizado sobre política, esportes, notícias internacionais e tudo mais!”
 
Pessoa muito bem humorada declara todo o seu amor pelo bairro. “Cheguei aqui em 1985 e de lá pra cá esta é a minha morada e paixão. Amo o Parque Aliança!”


Ilda Cardoso, popularmente conhecida como Ilda do Aliança, mora há 25 anos na Vila Gomes. 
 
“Sou bem conhecida, quando vim para cá só tinha a escola  Álvaro de Souza Vieira e a creche Maria Gomes que era feita de madeira. Meu filho estudou lá dos 6 meses aos 6 anos. A nossa infraestrutura é insuficiente, falta muito para melhorar.
 
Segundo Ilda do Aliança, “é injusta a fama do bairro ser violento”. “A fama de um local violento é uma injustiça! Na verdade, são pessoas que vem de fora para cometer crimes aqui. Dizem que moramos em uma Estância, mas para ser uma cidade turística falta muito. Espero que ao longo do tempo consigamos ser verdadeiramente uma Estância Turística”.
 
Um ponto positivo que Ilda destaca é a escola Estadual Álvaro de Souza Vieira. “A Escola Álvaro de Souza Vieira é uma das escolas que mais aprovou para a ETEC e o Senai, isso é um grande orgulho para o bairro. Tirando isso não há muito o que comemorar”.


Geraldo Matilde Coelho, 74 anos, chegou no bairro no ano de 1967, vindo de Conceição de Minas, Estado de Minas Gerais. Veio em companhia de um amigo - de nome Antônio Lopez Filho - em busca de oportunidade de trabalho. “Quando cheguei aqui, tudo era mato. Nas ruas só passava carroça puxado por burro. Por aqui não tínhamos energia elétrica nem água encanada. Trabalhei três anos em Ribeirão e voltei para Minas Gerais para me casar, onde tive dois filhos”.
 
Senhor Geraldo disse que retornou para o Parque Aliança três anos após a sua ida para o seu estado de origem, e conta com imenso orgulho sobre a construção da Escola Estadual Álvaro de Souza Vieira.
 
“Tenho muito orgulho de ter ajudado na construção daquela escola. Tenho muito prazer em olhar para ela (a escola) e lembrar que quatro dos meus seis filhos estudaram e se formaram lá. Moro há 51 anos aqui e só espero que os nossos políticos trabalhem em favor do povo”.
 

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