Folha de Ribeirão Pires


28/08/2018 10:19 - Folha nos Bairros

Santo Bertoldo: marcado por uma tragédia em 2010

Em 2010, um desmoronamento vitimou uma mãe e suas duas filhas

Bombeiros e Defesa Civil trabalharam no resgate dos corposDurante as fortes chuvas no início do ano de 2010, os moradores do Bertoldo vivenciaram um dos momentos mais tristes da história do bairro. 
 
Na manhã do dia 21 de janeiro daquele ano, a casa em que Manoel Bispo dos Santos vivia junto com sua esposa e duas filhas, na Rua Anchieta, foi soterrada após um deslizamento de terra. 
 
Analice de Oliveira Moreira Santos (36), Ana Lídia Moreira Santos (8) e Ana Moreira Santos (14) estavam no interior da residência e morreram naquela manhã.
 
Em entrevista à Folha em fevereiro de 2010, Manoel relatou os últimos momentos que passou com sua família. “Minha esposa falou que iria caminhar com uma amiga. Como percebi que iria chover, pedi para ela ficar em casa”, conta. “Fui até o quarto dei um beijo nela enquanto as minhas duas filhas continuavam dormindo e saí”.
 
Um bombeiro conhecido da família ligou para Manoel informando sobre o ocorrido. “Quando cheguei a minha casa, só pensava que aquele desmoronamento tinha acabado com a minha família”, conta.
 
A casa foi reconstruída, no entanto Manoel Bispo não mora mais no local e, mesmo após oito anos da tragédia, as cicatrizes permanecem no bairro.

Serviços do bairro


Escolas Municipais: E.M. Angelina Denadai Bertoldo - Rua Anchieta, 240 - Bairro Colônia.
Academias ao ar livre: Jardim Boa Sorte/Santo Bertoldo - Estrada da Colônia, sem número. 
Quadras de areia: Jardim Boa Sorte/Santo Bertoldo - Estrada da Colônia, sem número.
Canil Municipal:  Rua Catarina Rios Giachelo, 185 - Bairro Colônia.

A opinião dos moradores


Isabel Correia - 45 anos
“O bairro é tranquilo, gosto muito de morar aqui. Eu cresci neste bairro, tenho amigos, bons vizinhos, não tenho do que reclamar. Eu praticamente nasci aqui. Cheguei com 5 anos e moro até hoje, não posso falar que gostaria de morar em outro local se nunca deixei o bairro”. 
Isabel diz estar satisfeita.


Armando Rodrigues Nascimento - 67 anos
“A situação do bairro está péssima. O mato está invadindo a calçada, ninguém limpa nada. Desde a época do outro Prefeito que não limpam as guias, já tem mais de quatro anos. Precisamos de uma limpeza no bairro, quase não há mais calçadas para as pessoas andarem, o capim está invadindo as casas”, diz.


Carlos Roberto França - 50 anos
“A prioridade aqui há muitos anos é acabar com a enchente. É só ter chuva nessa parte do bairro que tem alagamento. O bairro tem uma iluminação perfeita, mas a limpeza das ruas, em minha opinião, deixa a desejar. Depois que mudou o Prefeito praticamente não tivemos mais esse serviço”.


Aluísio Maia - 57 anos
“Moro aqui há 44 anos e durante esse tempo o bairro teve melhoras, mas ainda precisa de muita coisa. Antes essa rua (Dona Valentina - antiga Rua Ipiranga) era de barro, depois de um tempo colocaram paralelepípedo, então teve uma melhora”, conta Maia. “Muitos vizinhos até pagam pessoas para limpar a frente da casa porque o serviço de limpeza não passa aqui.”
“Eu gosto de morar aqui e daqui não quero sair não”, finaliza.


Gasex e o descarte consciente de óleo


Edir Souza é proprietário da GasexÉ comum sobrar uma quantidade considerável de óleo na panela após o preparo de algumas refeições. Muitos jogam essa sobra na pia, no vaso sanitário ou no lixo. 
 
No entanto, o que a maioria das pessoas não sabe é que essa atitude pode trazer danos irreparáveis ao meio ambiente. Ao entrar em contato com o solo, o óleo diminui a capacidade de absorção da água da chuva, causando enchentes. Quando desce pelo ralo, o óleo vai para rede de esgoto, entupindo as tubulações causando a contaminação da água.
 
A reciclagem é uma saída sustentável para o problema. A Gasex, localizada na Rua Olavo Bilac, 169 - Santo Bertoldo,  realiza a coleta de óleo usado para a produção de sabão em barra. 
 
O armazenamento pode ser feito de maneira simples e prática. Conforme for utilizando o óleo, vá armazenando em uma garrafa pet limpa. Após completar uma ou mais garrafas, procure ONGs especializadas neste tipo de coleta, ou postos de entrega voluntária, como no caso da Gasex. 
 
Todos os clientes podem levar ou se preferir entregar o óleo de cozinha usado para um dos funcionários na hora da realização do pedido de gás ou água mineral.
 
A quantidade armazenada de óleo pode variar de acordo com o local. Procure se informar em relação à quantidade de litros necessários para realizar a entrega no local mais próximo.

Os personagens do Bertoldo


Deusdete Alves Vasconcelos - 71 anos
Apaixonado por corridas de longa distância e por fotografias, Deusdete é - sem dúvida - um dos personagens do Bertoldo.
Morador do bairro há 39 anos, Deusdete é conhecido na cidade por participar de corridas e maratonas. Segundo ele, o amor pelo esporte está em seu sangue. “Eu era lutador de boxe, com 15 anos comecei a correr para adquirir resistência.”
Em 1975, Deusdete deixou de lado os ringues de boxe. Mudou-se para o Bertoldo em 1979 e no ano de 1984 voltou a correr. “Nesse ano, eu comecei a correr daqui de Ribeirão Pires até a Pirelli, em Santo André”, lembra o comerciante. De lá para cá, o maratonista participou de dezenas de corridas de curta, média e longa distância e conquistou várias medalhas.
Outro hobbie de Deusdete é fotografar aquilo que lhe chama atenção, seja em seu bar ou nas ruas da cidade. “Eu fotografo o que eu vejo no momento. Costumo fazer uma coisa que seja agradável para mim e para quem é fotografado”. 


Lia Terezinha Ribeiro Araújo - 66 anos
Moradora do Bertoldo há 33 anos, Dona Lia é uma das personagens do bairro. Ela é responsável por organizar campanhas de arrecadação de sangue, na cidade de Ribeirão Pires, há mais de 20 anos.
Esse trabalho voluntário começou quando sua filha foi diagnosticada com um tumor maligno na hipófise - glândula que regula a produção de hormônios do corpo.  Devido a doença, Maytê precisou de recorrentes transfusões de sangue. “Esse trabalho é realizado na cidade desde 1997, mas as primeiras campanhas foram mobilizadas por outra pessoa por conta da Maytê”, conta.
“Durante esse tempo acompanhando minha filha no hospital, eu fui aprendendo, acabei me envolvendo com esse tipo de trabalho. Então decidi continuar mesmo após a Maytê não precisar mais de doações.” Segundo Lia, essa foi uma maneira de retribuir todo apoio que recebeu quando mais precisou.

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