Folha de Ribeirão Pires


10/04/2018 10:50 - Especial

OURO FINO: O distrito que deixou a riqueza do ouro para viver como cidade grande

Ouro Fino possui aspecto interiorano, mas tem os problemas das grandes metrópoles como invasão e falta de segurança

O bairro de Ouro Fino Paulista se destaca por seu forte desenvolvimento comercial e significativa populaçãoNos limites da Vila de Moji, em 1663, havia uma estrada chamada estrada de Guaió, que era passagem daqueles que pretendiam sair de São Paulo rumo a Mogi das Cruzes ou vice-versa, bem como daqueles que se dirigiam a Santos. 
 
Com a invasão das terras da Aldeia do Ururaí, depois São Miguel, muitas pessoas espalharam-se por este território alcançando a região de Ribeirão Pires nos fins do século XV. 
 
Ribeirão Pires, que se chamava Caaguaçu (mata grande ou mata virgem), mantinha uma integração com os moradores de São Miguel. No decorrer dos anos, esses caminhos foram aperfeiçoados por bandeirantes, garimpeiros e milícias.
 
No século XVII, as terras nas proximidades da Serra do Mourão passaram a ser cobiçadas. Um novo processo de povoamento passou a acontecer, baseado na exploração das minas de ouro. Caaguaçu, que estava no caminho para essas minas, passou a ser conhecida, pois até então era quase inexplorada.
 
Houve a formação de um núcleo de povoamento na região decorrente da exploração do ouro entre os séculos 17 e 18, o que deu origem ao nome do povoado Ouro Fino sem o termo inicial ‘Paulista'.
 
Mas que não durou muito tempo.
 
Em 1953 se tornou distrito de Ribeirão Pires com o nome de Iupeba, e pela Lei n.º 9.887, de 31 de outubro de 1967, é alterada a denominação do distrito de Iupeba para Ouro Fino Paulista, com a designação 'Paulista' para diferenciá-lo do município mineiro.
 
O bairro também passou por exploração de lenha e carvão, além da instalação de diversas olarias na região, que foram barradas pela lei de Proteção de mananciais.
 
Geograficamente está localizado às margens da Rodovia Índio Tibiriçá, fazendo divisa com Suzano e Rio Grande da Serra. Neste Distrito, concentra-se o pólo industrial do município de Ribeirão Pires, com várias indústrias ali localizadas.
 
Estima-se que a população deste bairro seja superior a 15.000 habitantes.


Principais serviços de Ouro Fino


Secretaria de Desenvolvimento Regional de Ouro Fino Paulista: Rodovia Índio Tibiriçá, 2810 - Centro - Ouro Fino Paulista  E-mail: sdrourofino@ribeiraopires.sp.gov.br - Atendimento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h - Telefone: 4822-2062.
 
UBS Ouro Fino: Rodovia Índio Tibiriçá s/n, ao lado 2753 – Centro – Telefone: 4827-0476.
 
Pista de Skate Ouro Fino Paulista: Avenida Vereador Rubens Maziero, nº 100.
 
Centro Técnico de Treinamento Ouro Fino Paulista: Avenida Vereador Rubens Maziero, nº 10.
 
Escola Municipal Palmira Antonio Pereira: Rua Emerson Conde Soares Giacomini, nº 200 - Jardim Aymoré - Telefone: 4822-2430.
 
Escola Municipal Professor Sebastião Vayego de Carvalho: Avenida Vereador Rubens Maziero, nº 100 - Ouro Fino Paulista.
 
Escola Municipal Silvio Roberto Grecco: Rua Topázio, nº 60 - Jardim Eucalipto - Telefone: 4827-0008.
 
Escola Estadual Senador Casemiro da Rocha: Rodovia Índio Tibiriçá, km 53,5 - Ouro Fino Paulista - Telefone: 4827-0238.
 
Escola Estadual Antonio de Pádua Paschoal de Godoy: Estrada do Soma, nº 2950 - Ouro Fino Paulista - Telefone: 4827-0124.
 
Escola Estadual Professor João Gaudêncio Mainine: Rua Pouso Alegre, nº 115 - Jardim Aymoré - Telefone: 4827-0004.


A opinião de quem vive em Ouro Fino


Para Bruno Soares Mariano, 22 anos, que mora em Ouro Fino Paulista há 8 anos, “o bairro é muito gostoso para se viver. Aqui temos características de uma cidade do interior onde é fácil de se fazer amizades e de conhecer as pessoas. Moro com meu pai, minha mãe e uma irmã e o lugar é tranquilo. Outro ponto que na minha visão merece destaque, é a diversidade do comércio local o que nos possibilita fazer compras por aqui mesmo sem a necessidade de ter que sair do local”.


Mônica Ramos da Silva, 42 anos, diz que  “nossas ruas estão em péssimo estado de conservação, cheias de buracos e muitas sem asfaltamento. É preciso que se olhe mais para a grande quantidade de cachorros soltos nas ruas, muitos deles estão abandonado e não tem dono. Na questão da saúde, a marcação de consultas é muito demorada e os exames mais complexos são muito difíceis de agendar. Aos finais de semana não temos atendimento no Posto de Saúde”.


Antônio Navaro, 51 anos, é morador do bairro há 35 anos, fala que Ouro Fino é local muito agradável, mas que falta um pouco mais de atenção na Rodovia Índio Tibiriçá. “Na minha opinião, aqui estamos bem servidos com cartório e banco, mas não posso deixar de falar que falta atenção na Índio Tibiriçá. Gostaria muito que fosse feita travessia mais adequada aos idosos e portadores de necessidaes especiais, bem como parada para os ônibus com recuo nas calçadas. O transporte público melhorou bastante de uns anos para cá”.


Maria Bernardina, 53 anos é moradora em Ouro Fino Paulista há 27 anos, destaca como ponto positivo o ambiente típico de cidade de interior que o bairro ainda tem. “Gosto muito de morar aqui. Em Ouro Fino estou quase a metade da minha vida. É preciso que se intensifique o policiamento na região. Aqui quando chega 7 da noite todos os comércios se fecham devido a insegurança”. Segundo ainda disse: “A vinda do posto da GCM veio em boa hora, mas é preciso mais policiamento”, concluiu. 


Invasão de terra e descaso com o Meio Ambiente em Ouro Fino 


Em 2014 houve descarte ilegal de terra no Jardim União. Em 2017 secretário-adjunto foi exonerado por descarte de entulhoDurante o período em que a Folha esteve conversando com os moradores de Ouro Fino, foi considerável o número de populares enfáticos em afirmar que um dos problemas mais graves no bairro é a ocupação de terras e a falta de cuidados com o Meio Ambiente.
 
Segundo os relatos colhidos, e mantendo o anomimato da fonte, grupos e pessoas estão ocupando terras públicas, ao mesmo tempo que realizam desmatamento de grandes áreas e assoreamento de córregos e nascentes.
 
Moradores alertaram ainda que diversas denúncias já foram feitas à Prefeitura que ainda não tomou medidas capazes de resolver o problema no bairro.
 
Não é de hoje que a região sofre com problemas ligados ao Meio Ambiente. 
 
Em 2014, no Jardim União seis casas foram atingidas após uma terraplanagem, nascentes foram soterradas. A obra foi paralisada. 
 
Já em outubro de 2017, o então secretário adjunto de Ouro Fino Paulista, Mauro Pellegrini, foi acusado de autorizar descarte de entulho em área de manancial.
 
A denúncia anônima chegou a ser enviada para Ouvidoria da Prefeitura, com vídeo e áudio, contudo, a informação teria sido omitida do prefeito de Ribeirão Pires, Kiko Teixeira (PSB), que só deu continuidade a denúncia após denúncia da Câmara de Vereadores. O servidor foi exonerado.
 
A Folha solicitou à Prefeitura iniformações sobre o número de processos abertos referente ao tema, contudo, não obteve resposta.


Os personagens de Ouro Fino


Raphael Bettega - Fofoqueiros de Ribeirão Pires
Nascido e criado em Ouro Fino Paulista, o jovem de 25 anos de idade é destaque por ter criado a “afamada” página de humor no Facebook: Fofoqueiros de Ribeirão Pires, hoje com mais de 29 mil curtidas.
 
“Em 2012 junto com um amigo, Rafael Costa decidimos criar a página. Juntos pensamos esse nome devido a cidade ser pequena e aqui ter muito fofoqueiro”.
 
Sobre os temas e pessoas que são objeto de seu humor, Raphael disse que: “Não temos alvos, apenas observamos os acontecimentos da cidade. Eu confesso que não é dificil criar os memes, tudo flui naturalmente. É bom deixar claro que o nosso único objetivo é fazer humor e nunca ofender as pessoas”, justificou Raphael que é estudante de Comunicação Social.
 
“A página tem como objetivo fazer humor com os temas mais curiosos que acontecem na cidade, seja ele político ou  sobre o clima. Tem alguns políticos que não gostam, mas outros curtem e dão muita risada e até compartilham”.


Luciana Pasqualini - Artesã
Moradora no bairro de Ouro Fino Paulista há aproximadamente 11 anos, Luciana Pasqualini tem 47 anos e um imenso orgulho da profissão que exerce: Artesã.
 
“Ouro Fino é um lugar muito agradável, é aqui o lugar que escolhi para morar. Vivo do meu trabalho de artesã e sinto que falta muito apoio para quem vive ou quer viver deste ofício. Temos somente aqui no bairro cerca de 60 pessoas que produzem peças artesanais mas, que não recebem apoio ou incentivo”.
 
“Temos uma feirinha norturna aqui no bairro que poderia ser um ponto para comercialização dos diversos produtos artesanais que fazemos. Bastava somente o fechamento da rua, um guarda e garantir a segurança no local”.
 
Segundo ainda falou Luciana, “Ribeirão é uma cidade turística e o artesanato é super importante para uma Estância, bem como possibilidade de garantia de emprego e renda para aqueles que gostam de desenvolver trabalhos artesanais”.


José Antônio Pessoa - Pintado
Morador do bairro desde 1975, José Antônio Pessoa, popularmente conhecido como Pintado, viu acontecer o desenvolvimento do bairro.
 
“Quando cheguei aqui, tudo era um mato só. Vi a abertura de ruas, a construção de posto e a chegada da energia elétrica. Amo o meu bairro”.
 
Integrante de uma dupla sertaneja de raiz, participou de diversos Festivais do Chocolate.
 
“Antigamente, os artistas locais eram mais prestigiados. Sempre fui convidado para tocar e eu ia com muito orgulho. Hoje as coisas mudaram bastante. Esqueceram da gente e a prioridade são os grandes artistas contratados a peso de ouro”.
 
“A Rodovia Índio Tibiriça trouxe desenvolvimento para o bairro, mas aprisionou os moradores do local. Me parece que fizeram essa rodovia só para quem passa por aqui, o morador local vive aprisionado pois o idoso para atravessar passa por dificuldades e os retornos são muito longes”.

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