Folha de Ribeirão Pires


07/11/2012 09:38 - Artigo

Grito incontrolável que parte das urnas

Nada melhor do que ver os resultados após as eleições. Gostando ou não, sorrindo ou torcendo o nariz, porque algumas certezas prévias foram abaladas e a tendência de atribuir a um único fator a causa da vitória ou derrota desse ou daquele candidato foram desmoralizadas. Favoritos que amargaram duras derrotas. 
 
A mais simbólica e emblemática veio exatamente da primeira cidade administrada por um prefeito do PT, Diadema. Em um dos seus redutos históricos, berço do sindicalismo paulista e do próprio partido, o PT foi derrotado após 30 anos de hegemonia no município. 
Petistas da cidade davam por liquidada a vitória já no primeiro turno, quando as urnas declararam o jovem Lauro Michels na disputa do segundo turno. Em menos de uma semana, a arrogância política dos petistas dava sinais de enfraquecimento e fez surgir uma luz verde para uma cidade até então vermelha.
 
Atual prefeito e candidato à reeleição, o petista Mário Reali recebeu apenas 39,85% dos votos válidos e foi derrotado por Lauro Michels (PV), que obteve 60,15%. Com humildade e grande sentimento de mudança, Michels buscou o maior percentual de votos do segundo turno em toda a região. Caso muito semelhante aconteceu em Santo André, onde o prefeito Aidan Ravin (PTB), que também tentava a reeleição, terminou superado pelo candidato petista Carlos Grana, que obteve 53,94% dos votos, contra 46,06%.
 
O prefeito Aidan errou na articulação política e esnobou aliados acreditando que pudesse vencer as eleições sozinho. Ao contrário dele, o principiante Carlos Grana teve a façanha de unir boa parte de segmentos da classe média e até mesmo da classe média alta da cidade, onde historicamente o PT não penetrava. Além disso, Grana buscou aliados que nunca foram, e acredito que não serão petistas, mas que se uniram a ele e fizeram uma forte corrente anti-Aidan, o que sagrou a vitória e o retorno do PT a cidade andreense. 
Na capital paulista, o que na minha avaliação deu a vitória a Fernando Haddad, foi que o José Serra teve que carregar em sua campanha a impopularidade e rejeição do prefeito Gilberto Kassab e uma renúncia a prefeitura em sua biografia. Infelizmente percepções como essas provavelmente pesaram mais do que sua competência e diversas qualidades.
 
Mas como não posso ser incoerente, nada melhor do grito incontrolável que parte das urnas.
Gostemos ou não dos resultados.

Orlando Morando 
Deputado Estadual PSDB

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