Folha de Ribeirão Pires


16/10/2018 10:19 - Folha nos Bairros

Foro Distrital muda a rotina da Vila Figueiredo em Rio Grande da Serra

Equipamento do Judiciário criado em 2008 já sofreu atentado e teve blog da Promotoria para dialogar com a população

Desde a abertura do Foro vila passou a ser o centro das atenções A chegada do Foro Distrital em Rio Grande da Serra em 2008 transformou a pacata região da Vila Figueiredo. Se antes a única movimentação era a dos estudantes da E.E. Cassiano Ricardo, a inauguração do equipamento do Judiciário fez com que a Vila passasse a a receber aqueles que buscam por Justiça. A boa nova também trouxe preocupação para população, o Foro recebe constantemente detentos para audiências e no passado já foi alvo de atentado. Nos 10 anos de instalação, o Foro tem muitas “histórias para contar”.
 
Em 2010, o Foro teve o ano mais movimentado, em especial pela popularidade da Promotoria de Justiça. Comandada por Sandra Reimberg, o Ministério Público (MP) ganhou as ruas e a população, era comum moradores, políticos e empresários, seguirem até o MP com o intuito de oferecer denúncias e tirar dúvidas sobre problemas na cidade.  A promotora chegou a criar um Blog para dialogar com os moradores.
 
Tamanha facilidade de acesso, a Promotoria se tornou “porto seguro” para quem se sentia lesado, muitas das denúncias acabaram em ações cívis. Duas chamam a atenção, a que pede a devolução de R$ 45 milhões aos cofres públicos e a que pede improbidade por contratação de empresa pela Prefeitura para beneficiar aliados. Ambas as ações são contra o ex-prefeito da cidade e atual mandadário da Estância, Kiko Teixeira (PSB). Na segunda ação, Kiko já foi condenado em segunda instância a perda da função pública e suspensão dos direitos políticos pelo prazo de cinco anos, além de devolver aos cofres da Prefeitura  R$ 47.000,00, solidariamente entre os condenados.
 
No Foro Distrital ainda estão ações que investigam o sistema de transporte municipal, crimes ambientais e invasões de áreas públicas.


Entrada ficou com perfurações.Foro já sofreu atentado



Em maio de 2010, o Foro Distrital de Rio Grande da Serra sofreu um atentado. Até hoje o caso está sem solução.  À época, as autoridades entenderam que o ataque a tiros tenha ocorrido em represália a promotora Sandra Sandra Reimberg que investigava políticos da cidade e empresas ligadas ao transporte público.
 
Já era noite de 26 de maio daquele ano quando dois homens em uma moto atiravam contra a porta do Foro.
 
“Não descarto nenhuma possibilidade: pode ter sido inúmeras coisas. Um tiroteio entre bandidos, bala perdida, uma brincadeira de mau gosto ou até mesmo um atentado como vocês me indagaram, mas cabe a polícia investigar todas as possibilidades”, disse a promotora um dia após o atentado.


Serviços do bairro


EMEB Pinguinho de Gente 
Avenida dos Autonomistas,  278 - Vila Figueiredo;
 
Foro Distrital de RGS
Rua Agostinho Cardoso, 176 - Vila Figueiredo;
 
UPA Rio Grande da Serra
Avenida dos Autonomistas, 500 - Vila Figueiredo;
 
E.E. Cassiano Ricardo
Rua Agostinho Cardoso,  - Vila Figueiredo;
Centro de Atenção Psicossocial
Rua José Maria de Figueiredo, 47 - Vila Figueiredo;
 
Vigilância à Saúde 
Rua Prefeito Cido Franco, 500- Vila Arnoud;
 
Quadra Municipal
Rua Prefeito Cido Franco, s/n - Vila Arnoud;


Opinião dos moradores


Hilda Soares de Lima - 69 anos
Moradora do Parque Indaiá há 40 anos, Hilda afirma que o bairro sempre foi um lugar bom para morar, com bons vizinhos e uma convivência tranquila.
Segundo Hilda, apesar das melhoras conquistadas no local, o Parque Indaiá é o lado esquecido da cidade. “Nós precisamos de uma linha de ônibus aqui no bairro. Somos obrigados a andar até o centro ou pagar um táxi, porque não há um ônibus que passe aqui perto”, diz a moradora.




Helion dos Santos - 46 anos
Na Vila Arnoud há 46 anos, Helion dos Santos conta que o local se encontra abandonado. “As ruas precisam de melhorias, há muita sujeira, buracos. Falta fiscalização das vias.”
Ele diz que serviços de limpeza feitos pela frente de trabalho não são realizados há anos. Outro ponto negativo é o abandono da quadra municipal. “O bairro está parado, muito vunerável na questão da segurança. A base policial não consegue dar conta de toda a cidade”, diz. 




Gilson Souza Rocha - 60 anos
Criado na Vila Figueiredo, Gilson Souza afirma com toda convicção que gosta de morar no bairro e brinca: “Se eu não gostasse, não estaria morando aqui até hoje”.
O que torna o bairro um lugar especial - para Gilson - são as pessoas que também moram no local. Para ele, um dos pontos positivos é o atendimento oferecido pelo serviço de saúde. “Eu sei que tem pessoas que tem problemas com o atedimento, mas eu sempre fui bem atendido quando precisei”.



Os personagens do bairro


Cléia Barbosa – 69 anos (Moradora do Parque Indaiá há 53 anos)
Nascida em Resende, no Rio de Janeiro, Cléia Barbosa chegou a Rio Grande da Serra aos 16 anos, no ano de 1965, após se casar com seu primeiro esposo. Ela conta que levava uma vida muito simples quando chegou ao Parque Indaiá. Morava em apenas dois cômodos de tábua junto à sua família e, para garantir uma renda, trabalhava em uma barraca vendendo cadeiras de balanço no próprio bairro.
Cléia chegou a morar em outros estados, mas, segundo ela, o destino a trouxe de volta para Rio Grande da Serra.  “Morei em muitos lugares bonitos, em Curitiba e no Espírito Santo, mas acabei voltando para cá”, diz. Um de seus passatempos preferidos é viajar para Resende e rever os familiares. No final do ano passado, Cléia realizou seu maior sonho de infância, em sua terra natal, ao conhecer o Parque das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro. “Quando criança, eu tinha muita vontade de ir nesse parque, mas minha tia não deixava, falava que era muito perigoso”, conta. “Até que no ano passado, eu fui para lá e realizei esse sonho de infância.” 
 
 

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