Folha de Ribeirão Pires


09/10/2018 10:41 - Folha nos Bairros

Dez anos do assassinato dos irmãos Igor e João na Vila Aurora

Crime cometido em 2008 completou uma década no último mês; João Alexandre e Eliane Aparecida permanecem presos

Igor Giovani e João Victor foram assassinados pelo pai e a madrastaEm setembro de 2008, a Vila Aurora ficou marcada por um crime brutal cometido pelo próprio pai contra seus dois filhos, de apenas 12 anos. Igor Giovani Santos Rodrigues e João Victor dos Santos Rodrigues foram asfixiados, queimados, esquartejados e colocados em sacos plásticos e dispensados para a coleta de lixo por João Alexandre Rodrigues, com a ajuda da madrasta das crianças Eliane Aparecida Rodrigues. Os cadáveres foram encontrados pelos coletores, quando o triturador do caminhão travou e uma das pernas das vítimas apareceu.  
 
O crime aconteceu na tarde do dia 5, por volta das 16h, após uma discussão entre Rodrigues e seus filhos. Ele teria pegado João Victor, asfixiado, na sequência queimado e esquartejado o menino, enquanto, segundo relato da madrasta, ela e o outro menor, ficaram no quarto. 
 
Após a atrocidade, o pai teria ido até o quarto e arrastado Igor Giovani até o quintal, onde repetiu as ações. Eliane foi presa no mesmo dia, enquanto João Alexandre foi detido na manhã seguinte. 
 
Dias antes, os irmãos foram encontrados pela Guarda Civil Municipal andando por Ribeirão Pires.  Ao serem levados para Delegacia, relataram que foram expulsos de casa pelo pai e que estariam procurando pela mãe, Claúdia Lopes dos Santos. Eles foram encaminhados ao Conselho Tutelar e por ordem judicial devolvidos a João Alexandre. 
 
 Julgamento e condenação
 
  Dois anos após o crime, João Alexandre e Eliane Rodrigues foram condenados pela morte e esquartejamento dos garotos.
Audiência aconteceu em dezembro de 2010, no Fórum da Estância. 
 
No julgamento, o promotor Abner Castorino leu uma carta escrita por João Victor quando ele estava em um abrigo, onde o garoto fala sobre seus sonhos.  “Queria ter uma vida tranquila. Queria ter minha mãe. Queria ver meu avô. Queria ser policial. Queria amar os outros e não ter inveja. Queria ter Deus no coração. Queria ter uma bicicleta”, dizia a carta. 
 
João Alexandre, em seu depoimento, reafirmou que não matou seus filhos e que apenas confessou o crime na época porque foi pressionado pela Polícia.  
 
Eliane Rodrigues ainda afirmou que foi ameaçada pelo marido para que ajudasse no crime. ”Ele falou que se qualquer coisa desse errado, ele mataria o Thiago [filho dela].” 
 
No final do segundo dia de julgamento, tanto o pai quanto a madrasta foram condenados pelo crime de duplo homicídio quadruplamente qualificado e ocultação de cadáver. Ele recebeu a pena de 67 anos, um mês e dez dias de prisão, enquanto a mulher foi sentenciada com 59 anos, seis meses e 20 dias de reclusão.
 
De acordo com as informações apuradas pela Folha diretamente com a Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, João Alexandre e Eliane Rodrigues permanecem cumprindo pena em regime fechado. O pai encontra-se na penitenciária Dr. José Augusto II de Tremembé e a madrasta na Cadeia Feminina I, também em Tremembé.
 
Repercussão  
 
O assassinato dos menores ganhou destaque nos principais meios de comunicação dos pais. Mesmo após anos do acontecido à história pautou debates, livros e até seriados da TV fechada. 
 
Em 2010, a escritora e jornalista Thaís Nunes escreveu um livro, intitulado de 200 páginas contando a história dos irmãos Igor Giovani e João Victor. 
 
Com o nome “Sangue do meu Sangue”, o livro conta com depoimentos do lixeiro que encontrou partes dos corpos no caminhão de coleta, do filho da Eliane e da Cláudia, mãe biológica dos garotos. 
 
Em entrevista à Folha em 2010, a autora da publicação disse que a intenção do livro é, justamente, mostrar que algumas tragédias são anunciadas.
 
 A emissora de TV à Cabo A&E Brasil também relembrou o caso na série documental Investigação Criminal, em 2014. 
 
O programa é conhecido por relembrar crimes de grandes impactos no país, como o dos Nardoni, dos Richthofen, de Mércia Nakashima e do cartunista Glauco.


Tesouro musical na Vila Aurora


Músicos da Escola Maestro Alfredo Della Ricca - Foto: Redes Sociais A Escola Municipal de Música “Maestro Alfredo Della Ricca” é um dos atrativos da Vila Aurora, em Ribeirão Pires. Com 18 opções de cursos, entre instrumentos e canto, a unidade atende mais de 1.300 alunos. 
 
Alfredo Della Ricca foi um dos precursores do ensino musical na cidade. Em 1900, ele criou a primeira banda musical da cidade com o apoio de Antônio Gallo, Anacleto Gallo, José Gallo e outros membros.
 
Entre os anos de 1908 e 1910, formou-se uma banda com aproximadamente 10 a 15 músicos, dando início a carreira do jovem músico, que logo depois substituiria o maestro responsável pelo grupo.
 
Com o passar dos anos, a banda foi crescendo e se transformou em “Corporação Musical Lira de Ribeirão Pires”.  No entanto, durante os anos de 1923 a 1939, a Corporação Musical não conseguiu manter-se, apesar de várias tentativas de Alfredo Della Ricca, devido a falta de incentivo do governo da época. 
 
Fundação
 
Em 2008, através de uma Lei assinada pelo então Prefeito Clóvis Volpi, a Escola Escola Municipal de Música Maestro Alfredo Della Ricca foi criada, sendo uma instituição gratuita destinada a formação musical. 
 
Atualmente a escola oferece aulas de Piano, Violão, Violino, Viola Eurudita, Violoncelo, Contrabaixo Sinfônico, Flauta Doce e Transversal, Clarinete, Oboé, Fagote, Saxofone, Trompete, Trompa, Trombone, Tuba, Canto Lírico e Musicalização Infantil, além das práticas em grupo e o Núcleo de Música Popular. 
 
A escola abriu as inscrições para vagas remanescentes para os cursos de  oboé, contrabaixo sinfônico, fagote e prática Coral (sopranos, contraltos, tenores e baixos. Os interessados devem comparecer, até o dia 11, Praça Historiador Wanderley dos Santos, 12 – Vila Aurora, das 10h às 20h, apresentando uma cópia do RG. 


Opinião dos moradores


Isabella Nascimento dos Santos - 19 anos - Moradora da Vila Aurora  há 19 anos
Para Isabella, a Vila Aurora é um lugar bem tranquilo para morar. No entanto, ela ressalta que o bairro necessita de mais segurança. No ano passado, ela foi vítima de assalto enquanto andava pela praça Historiador Wanderley dos Santos. Outro ponto que precisa de mais atenção no bairro, segundo a jovem, é a educação. 




Rodrigo Cardenuto Bertozzi - 34 anos - Comerciante na Vila Aurora há dois anos
Rodrigo é morador de Ouro Fino, mas possui uma banca de jornal na Vila Aurora há quase três anos. Um dos atrativos do bairro é o fato dele estar situado próximo ao centro, o que de certa forma contribui para a boa movimentação e com as vendas.



Raquel Valério - 51 anos - Moradora da Vila há 30 anos
Uma das principais necessidades da Vila Aurora, na visão da moradora Raquel, é a manutenção das vias. 
“A Rua Osvaldo Cruz precisa ser arrumada com urgência. Está limpa desse jeito porque meu padrasto carpiu, mas faz muito tempo que o serviço de limpeza não passa por aqui”, diz. 





Serviços do bairro


E.E Dom José Gaspar - Isidoro Fontes, s/nº - 4824-3089
Escola Municipal de Música Maestro Alfredo Della Ricca - Praça Ramos de Azevedo, 12 -  4824-5521
ARLS Fraternidade de Ribeirão Pires - Cásper Líbero, 114 
Praça Historiador Wanderley dos Santos - Ramos de Azevedo, s/nº
Academia ao ar livre - Rua Presidente Bernardes, s/nº  

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