Folha de Ribeirão Pires


23/10/2018 11:24 - Folha nos Bairros

Barro Branco e Família Ripoli: uma história que dura mais de 100 anos

Rua Pedro Ripoli, considerada a principal via do bairro, foi batizada com o nome de um dos membros da família 

Patriarca desembarcou em Ribeirão Pires no século XX Considerada uma das famílias tradicionais do município, que ajudaram na construção de Ribeirão Pires, a família Ripoli é de extrema importância para o Barro Branco – bairro escolhido para a edição da Folha nos Bairros desta terça-feira. 
 
O patriarca da família, Pedro Ripoli nasceu na Itália em 1850, mais precisamente em Calábria, na região sul do país. Ele chegou à Estância em 1897, integrando o Núcleo Colonial de Ribeirão Pires, assim como vários outros imigrantes italianos.  
 
Já na cidade, Ripoli e seus primeiros descendentes exerceram trabalhos como carvoeiros e lenhadores. Com o passar dos anos, a família passou a investir na produção de tijolos - que teve seu auge na década de 1930. Os tijolos eram feitos manualmente por meio de uma mistura de várias terras com uma argila especial, chamada pelos oleiros de “barro forte”. O italiano possuía uma olaria no bairro que hoje carrega em sua história a marca dos Ripoli. A casa de produção de tijolos ficava na região conhecida nos dias de hoje como Avenida Salvador Ripoli. 
 
Com a expansão da produção, os tijolos passaram a ser exportados para a cidade de Santos, o que deu origem, na década de 1960, a transportadora da própria família Ripoli - hoje com mais de 50 anos de experiência no ramo.  
 
Homenagem 
 
Após a morte de Pedro Ripoli em 1945, a principal via do bairro – que faz ligação com a Avenida Francisco Monteiro e com a Estrada da Adutora – foi nomeada como Rua Pedro Ripoli. A rua ainda dá acesso à Avenida Salvador Ripoli, localizada entre os bairros Barro Branco e Santa Luzia.  A via recebeu o nome de Salvador na década 70, após solicitação da família à Prefeitura Municipal. 
 
Tanto a Pedro Ripoli quanto a Salvador Ripoli, ao longo de suas margens, abrigam diversas empresas – entre fábricas de vidro, alimentos, metalúrgicas e pequenos comércios – que empregam não só moradores do bairro, mas também trabalhadores da região. 
 
Há mais de um século da chegada de Pedro Ripoli ao Barro Branco, descendentes do italiano ainda residem no bairro mantendo a viva a memória de Pedro e de seu filho Salvador. 


Personagem do bairro


Chegou à Estância em 1991 Joanalha Alves do Nascimento Souza – ou simplesmente Nara como é conhecida por seus familiares, amigos e clientes – é moradora do bairro há 27 anos. Ela veio da Bahia para São Paulo, mais precisamente para Ribeirão Pires, em busca de trabalho.
“Eu tinha algumas amigas que moravam aqui. Então, acabei vindo também para morar com elas”, conta. 
 
Atualmente, Nara gerencia seu próprio negócio no bairro com o auxílio de seus filhos Fernando Nascimento e Felipe Nascimento, entretanto, ela trabalhou durante muitos anos como diarista.
 
A ideia de criar um restaurante surgiu de forma espontânea.  Ao sair de seu emprego em uma fábrica de blocos, Deni Reis de Souza – marido de Nara – decidiu montar um bar próximo a Igreja São Judas. “Alguns clientes, que trabalhavam nas fábricas próximas ao bar, começaram a pedir comida. Nós começamos a servir, e os clientes gostaram da comida. Daí surgiu a ideia de montar o restaurante.”
 
Há 16 anos no Barro Branco, o Restaurante do Kolinha oferece seis opções de pratos por dia, além do serviço delivery. “Não é fácil tocar um comércio, mas temos um ponto bom aqui no bairro, o que nos ajuda”, diz Nara.
 
 O Restaurante do Kolinha fica na Rua Pedro Ripoli, nº 1460.


Opinião dos moradores


Ronaldo Campos de Oliveira – 36 anos
 
Morador do Barro Branco desde a infância, Ronaldo Campos de Oliveira diz que apesar das várias empresas existentes, o bairro não apresenta muitas opções de trabalho aos moradores. 
Desempregado há alguns meses, ele afirma que não consegue ingressar nas empresas próximas a sua residência. 
Outro fator negativo no bairro, de acordo com Oliveira, é a falta de limpeza das vias, que muitas vezes é feita pelos próprios moradores. 



Vanessa Cristina Madaleno Minuncio – 34 anos
 
No bairro há 34 anos, Vanessa afirma que o Barro Branco necessita de melhoras. Para ela, o que mais incomoda é o fato de não haver comércios próximos ao local. Quando preciso, os moradores devem ir até a Avenida Francisco Monteiro para comprar alimentos ou medicamentos. 
A moradora ainda ressalta o fato de o bairro não possuir uma UBS, sendo a unidade do Jardim Luso a mais próxima do Barro Branco. Apesar disso, Vanessa diz que gosta de morar no bairro devido sua tranquilidade.



Antônio Dionísio – 58 anos
 
Antônio Dionísio era morador de Mauá e chegou ao Barro Branco há 11 meses. Ele afirma que o bairro é um local agradável para viver. 
De acordo com ele, a vila apresenta uma boa vizinhança, é um local seguro e tranquilo, além de apresentar boas condições de infraestrutura na rua em que reside– como iluminação e manutenção das vias. 
“Quase não vejo casos de assalto e furto por aqui, por isso acho que é um lugar tranquilo para morar”, afirma Dionísio. 
 

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