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Polícia começa a desvendar assassinato de Yuan Santos; Mãe fala com exclusividade

Investigações comandandas pela Polícia Civil de RGS concluíram que a morte do jovem foi encomendada; Executores estão foragidos

Imagem: Folha de Ribeirão Pires

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 Yuan foi morto durante uma suposta tentativa de assalto, há um ano /  Foto: Arquivo pessoalNa última semana, a Polícia Civil de Rio Grande da Serra prendeu dois acusados de encomendar a morte Yuan Pereira Santos, de 22 anos, em abril do ano passado. Hernani Goulart da Mota Silva e Jonathas da Mota Pires foram localizados em Mauá e estão presos temporariamente por 30 dias.  
 
As investigações concluíram que a tentativa de assalto, no dia 24 de abril de 2018, no Parque do Governador, havia sido forjada. 
Já os executores, ainda não identificados, foram contratados por Jonathas a mando de Hernani, devido ao relacionamento extraconjugal entre sua esposa Nayara e Yuan. Um dia após a prisão dos mandantes do crime, a mãe da vítima, que pediu para não ser identificada, falou com exclusividade à Folha. Confira:   
 
O crime: 
 
“No dia 24 de abril de 2018, às 23h45, bateram na porta. Eu estava com sono e, como lá é um local muito tranquilo, olhei e vi dois rapazes através do vidro. Estava escuro porque lá é uma chácara, abri a porta pensando que era o vizinho”, lembra. 
 
“Eles anunciaram o assalto, estavam nervosos e gritavam. Todos estavam dormindo em casa e, como eles continuavam gritando, acredito que meu filho escutou e foi ver. Eles estavam na porta da cozinha, nem chegaram a entrar, e quando viram meu filho vindo, um deles já atirou”, afirma.  
 
Hernani pediu a morte de Yuan /  Foto: Arquivo pessoalJonathas contratou os executores /  Foto: Arquivo pessoal“Nessa hora vi o Yuan fazer um movimento para trás. Eu olhei sem entender, achando que era um assalto, e entrei na frente pedindo pelo amor de Deus para que eles não atirassem. Continuei pedindo para parar, foi então que eles começaram a me bater muito. Meu filho foi atingido por dois tiros na cabeça e um no pulmão”, conta. 
 
“Quando voltei e olhei para trás, isso foi questão de minutos, meu filho estava caído e não havia mais ninguém, eles até fecharam a porta. Foi então que fomos atrás de socorro. O Yuan ficou internado por quatro dias e morreu no dia 28 de abril.” 
 

Descoberta do motivo: “Sempre acreditei que tratava-se de uma tentativa de assalto, mas um mês depois, os investigadores da Polícia de Ribeirão Pires foram até a minha casa e  avisaram que não se tratava de um assalto e sim de um assassinato, de uma execução. Haviam encomendado a morte do meu filho. Eu levei um susto, até que falei que não era possível”, afirma. 
 
Relacionamento com Nayara: “Eles trabalhavam junto na ACIARP. Ela era casada, e meu filho estava noivo. Eles eram amigos, conhecia a família dela, frequentavam a casa um do outro”, conta. 
 
“Em uma terça-feira, 22 de março, eles deixaram de ir para a faculdade e ficaram juntos por duas horas. No dia seguinte, ela contou ao marido, o Hernani, que havia saído com meu filho, falou um monte de coisa para fazer ciúmes, porque ele a maltratava.
Essas informações foram descobertas pela Polícia”, relembra. 
 
“Quando foi na quinta-feira de manhã, o Hernani já estava na ACIARP esperando o Yuan. Todos viram, ele e o primo Jonathas quebraram o carro do meu filho com um pedaço de pau. Nós fomos até ACIARP, conversamos com a mãe dela que é gerente geral da associação e, a princípio, ficou tudo bem.”
 
“Houve outra reunião na minha casa, após a mãe da Nayara entrar em contato com o filho. Eu conversei com Hernani, dei alguns conselhos. Os quatro conversaram e se acertaram. Até perguntei ao meu filho se ele tinha certeza se estava tudo bem, porque eu nunca havia visto aquele homem na minha vida. Mas ele falou que realmente estava tudo bem”, fala.  
 
“Particularmente, eu não sei se houve um caso entre os dois, porque foi muito rápido. Se teve, foi algo muito breve”, afirma. 
 
Prisão dos acusados: “Eu não sabia que a Polícia estava perto de prender os dois, fiquei sabendo ontem à tarde (28). Sendo sincera, é melhor do que nada. Quando você vê uma atrocidade dessa e não acontece nada, é pior. O que eu espero é que eles paguem por isso, não desejo mal a ninguém, mas o que eu realmente quero é que se faça justiça. Meu sentimento é esse, que se faça justiça”, afirma. 
 
“Eu tenho esperanças de que a Polícia encontrará os dois executores. Talvez eles falem, não sei. Mas eu acredito sim que eles serão presos. Agradeço muito a Polícia de Rio Grande da Serra pelo empenho e dedicação a esse caso. Se não fosse por eles, isso não estaria acontecendo”, finaliza.  
 

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