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Educação em queda livre

Imagem: Folha de Ribeirão Pires

Da Folha de Ribeirão Pires

Divulgado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, há uma boa notícia a comemorar e uma má constatação a lamentar.
Com base em dados sobre aprovação/evasão e desempenho em português e matemática, o estudo mostra que o ensino médio foi o nível que ficou mais distante da meta de 4,3 pontos estabelecida pelo MEC – nada ambiciosa, diga-se, ao somar apenas 3,7 pontos. 
 
Para confirmar as exceções de praxe, Pernambuco e Amazonas bateram a meta. Do quinto ao nono ano, etapa final do nível fundamental, o objetivo quase foi atingido, situando-se dois décimos abaixo dos almejados 4,7 pontos. Nos anos anteriores, a média ficou acima da meta (5,5 contra 5,2 pontos), com um ótimo detalhe: as escolas públicas melhoraram mais do que as particulares (6,8 contra 6,7). Mesmo com a distância diminuindo, a diferença de qualidade entre as redes pública e privada continua prejudicando os alunos de menos renda.  
 
Voltando ao ensino médio, nível da educação em que o jovem deveria adquirir boa parte dos conhecimentos que propiciariam o ingresso bem sucedido no mercado de trabalho, há sinais alarmantes. 
 
Além da baixa qualidade, o desempenho em matemática foi pior do que o resultado de 2013 – segunda queda registrada no Ideb. A avaliação em língua portuguesa não é mais animadora, pois apresenta apenas uma leve melhora em relação a dois anos atrás, mas atrás de 2011. É oportuno sempre levantar pontos para reflexão quando se analisam estatísticas, como o Ideb, cujas metas são apenas referência para o mínimo aceitável em qualidade de ensino. 
 
Ou seja, a precária formação básica levará ao ensino superior um grande contingente de alunos despreparados para tirar o máximo proveito dessa etapa dos estudos e frustrarão muitos deles, quando chegarem a um mercado de trabalho cada vez mais competitivo e exigente. Isso, sem falar em quanto o país perderá com tantas gerações vítimas de um sistema falido de educação, que deveria ser a prioridade das prioridades.

Luiz Gonzaga Bertelli: Presidente do Conselho de Administração do CIEE

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