Cidades

Jogada de marketing coordenada por Volpi causa prejuízo de R$ 643 mil ao bolso dos professores

Ao antecipar o pagamento do retroativo para esta terça, 900 docentes perderam ¼ do que era de direito devido ao desconto do IRRF

Valor pago aos professores foi de aproximadamente R$ 2.839

Imagem:Divulgação

Por Marília Gabriela

Após dois anos de luta e reinvindicação pelo pagamento do retroativo, os professores da rede municipal de Ribeirão Pires tiveram uma surpresa desagradável na manhã desta terça-feira (30). Cerca de R$ 643 mil dos R$ 3,3 milhões que deveriam ser direcionados para quitar as dívidas referentes a 2020, foram subtraídos do bolso de 900 profissionais da Educação. 

A Folha foi procurada por alguns professores, que denunciaram a Prefeitura por praticar uma manobra indevida sob o pagamento do retroativo, que se refere ao reajuste do salário base, que deveria ser de R$ 2.886,24 desde janeiro do ano passado. 

O pagamento do retroativo do período de janeiro a dezembro de 2020, que equivale a R$ 3.589,68 estava previsto para ser quitado em 10 de dezembro, após projeto de lei 063/21 ser aprovado pela Câmara Municipal. Deste valor, a Prefeitura informou aos docentes que haveria o desconto de R$ 405,46 na parcela referente ao Instituto Municipal de Previdência de Ribeirão Pires (Imprerp). Com isso, esperava-se o depósito de R$ 3.280,55. 

Mas, ao optar por antecipar a data do depósito para esta terça (30), o holerite dos professores sofreu uma alteração drástica devido ao último dia do mês ser fixado a contribuição ao IRRF (Imposto de Renda recolhido pela Receita Federal).

A taxa de contribuição, que mensalmente é de R$ 31, sob o valor de referência de 7,50 % passou, neste dia 30, para R$ 715, com valor de referência de 27,50%, o que representa a subtração de 1/4 do valor que deveria ser direcionado para os professores de forma total.

Prejuízo de R$ 643 mil, dinheiro que foi direto para o Governo, e não para aqueles que estão todos os dias atuando nas 33 escolas da rede municipal.

“Como professora, me sinto usada pela Prefeitura de Ribeirão Pires. A antecipação foi uma ação de marketing, realizada para agradar a opinião pública, e isso acarretou na perda de parte do nosso dinheiro”, comentou uma professora que não quis se identificar.

Ela conta que assim que o holerite foi disponibilizado para consulta, na última semana, o desconto de R$ 715 já estava lá. O Sindicato dos Professores das Escolas Municipais (Sineduc) foi contatado por telefone por parte dos docentes. Na ocasião, um representante do órgão informou que “se o prefeito não houvesse antecipado o pagamento, nada disso teria acontecido. Agora, não há nada a ser feito". 

Mas, vale lembrar que na sexta-feira (26) a presidente do sindicato, Perla Freitas, comemorou a antecipação do retroativo ao lado da secretária de Educação Rosi de Marco e do prefeito Clóvis Volpi, em live realizada nas redes sociais.

Mesmo com todas as dúvidas apresentadas pelos docentes, o sindicato não se manifestou contrário à mudança. 

“Fizeram a alteração por debaixo dos panos. Isto mostra que a gestão municipal dá com uma mão e tira com a outra”, finalizou a declarante.

Por fim, os educadores receberam apenas R$ 2.839,79 nesta terça-feira (30), além do acréscimo de R$ 245 referente ao ajuste do salário base neste mês, que passou a ser de R$ 2.886.

O pagamento do retroativo tornou-se obrigatório desde o início de outubro, quando a Prefeitura perdeu dois processos movidos por professores na Vara do Juizado Especial Cível e Criminal de Ribeirão Pires. 

Clóvis Volpi (PL) e seus advogados abriram recurso na 7ª turma Recursal da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça de São Paulo para reverter a situação, contudo, foram derrotados. 

Ao fim da disputa judicial, os professores continuam sendo prejudicados pela Prefeitura de Ribeirão Pires.

Mais lidas agora

Últimas em Cidades