Cidades

Moradores de Mauá sofrem com falta de água e buraco nas ruas

Cidade de Mauá sofre com a falta de informação e com o abastecimento escasso de água

Em 2012, mais de 312 mil pessoas ficaram sem água por causa de um rompimento de uma adutora em Mauá

Imagem:Divulgação / Sama

Por Jéssica Fernanda

A época das chuvas chegou com a potência máxima na região do ABC. Nos últimos dias, a cidade sofreu com alguns pontos de alagamento, com a paralisação da linha da CPTM – que liga o ABC ao centro de São Paulo – e também com a falta de energia elétrica em alguns pontos da cidade.

Porém, mesmo com as chuvas torrenciais que atingem a cidade, Mauá – mais uma vez – se vê à mercê do precário abastecimento de água. A região, que conta com a SAMA – Saneamento Básico de Mauá – para receber o fornecimento de água, há tempos sofre com a escassez e a inconsistência no fornecimento de água.

Moradora do Jardim Esperança há mais de 30 anos, a dona de casa Maria das Graças, 60 anos, diz que há meses é preciso ficar atento às torneiras e aos banhos. Em sua casa, que conta com 3 adultos, a água por vezes fica em falta: “Aqui a água sempre chegou de madrugada. Como começou a faltar, nós aproveitamos os dias em que ouvimos ela chegar para poder encher os baldes. Assim, temos o que usar durante os dias em que o abastecimento não é feito, o que vem acontecendo com muita frequência".

Segundo ela, os vizinhos começaram a chamar caminhões pipa para que pudessem encher suas caixas. No entanto, os moradores que – como ela – são de idade mais avançada ou que estão no trabalho, não conseguem aproveitar o caminhão para poder encher as caixas. Ficando, assim, sem água nas torneiras.

Exatamente o caso de Ivaneide Ribeiro, moradora do Jd. Esperança há mais de 20 anos.

“Eu preciso trabalhar, meu filho precisa trabalhar, não temos como ficar faltando. Então, quando o caminhão chega a passar aqui na rua, eu, inevitavelmente, continuo com a caixa vazia porque não tem quem suba lá para encher".

Situação que acontece porque, segundo os moradores, são eles mesmos que precisam subir para encaixar as mangueiras nas caixas e, assim, encher os recipientes.

Porém, a situação está longe de afligir apenas os moradores da Rua Guatapará, moradora do bairro e residindo um pouco mais acima – na Rua Paulo Ferreira – a enfermeira Elaine Pereira também vem sofrendo com a escassez de água:

"Há vários anos somos prejudicados com o fornecimento de água, diariamente não temos água na rua e frequentemente o mesmo acontece com a água da caixa, com isso, ficamos sem nada de água, nem ao menos para beber. Trabalho e na maioria das vezes estou ausente quando o caminhão pipa passa e, além disso, não tenho força física para abastecer minha caixa".

Morando com mais duas pessoas, entre elas a mãe de 83 anos e a filha, Marcilene de Lourdes lamenta a situação:  

"Eu preciso trabalhar e minha filha tem os compromissos dela. É muito triste saber que minha mãe fica em casa se virando com baldes de água porque não tem nas torneiras nem para fazer comida. Aí chego em casa à noite e nem um banho digno eu tenho. Às vezes vem caminhão pipa, mas infelizmente dependemos de vizinhos ou parentes para encher a caixa e nem sempre eles estão disponíveis'.

Os moradores afirmam ainda que ligação para a ouvidoria é o que não falta:

"Minhas reclamações são frequentes na fornecedora de água e ouvidoria, sempre ouço "desculpas" diferentes, ora é baixa dos reservatórios, ora é o Buster que está queimado e outras vezes a falta de força para chegar água por se tratar de um lugar alto. Mas não ouço nenhuma solução para as questões apresentadas", comenta Elaine.

Os moradores declaram, ainda indignados, que a conta chega religiosamente para ser paga.

“A leitura é feita normalmente, não temos desconto de nada. Aí você acaba pagando por uma coisa que não é propriamente um serviço prestado. Além disso, muitas vezes, a conta já vem com aumento. Como posso continuar sendo cobrado pela água se na maioria dos dias eu nem sequer tenho água?” – Questiona Vagner Fabiano, morador da região.

Procurada, a Sama não chegou a dar sequer uma razão para que os moradores estejam sem água ou tenham que ficar atentos ao caminhão pipa para garantir seus abastecimentos. 

Nas redes oficiais da SAMA, o assunto nem chega a ser tratado.

Em consequência disso, outro problema aumenta de proporção: os buracos enormes que não são arrumados e aparecem por consequência dos dois ônibus que passam por lá e que, consequentemente, se agravam com a recente movimentação dos caminhões de água.

“Aí está outro problema, os buracos. É inacreditável como a rua está um caos, os carros em alguns trechos precisam ceder passagem para o que está vindo na direção contrária. Já liguei inúmeras vezes tanto na ouvidoria da prefeitura de Mauá quanto na de Ribeirão Pires – já que a rua em si é uma divisão dos dois municípios, mas o jogo de empurra-empurra prevalece. Mauá diz que a responsabilidade é de Ribeirão e vice-versa. Assim, seguimos até agora sem que nenhuma das duas tenha tomado alguma providência" - diz um morador.

Cansados, é assim que segue a maioria dos entrevistados. Afinal, são dois problemas que cabe aos governantes e respectivos órgãos resolver, mas que seguem tirando o sono dos moradores. Os carros e ônibus fazem o possível e o impossível para subir e descer entre as crateras que se formam no asfalto. E, dentro de casa, a briga é com a torneira que quando não está seca, está ameaçando secar.

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